"Credível e influente". Eleição de Portugal na ONU "praticamente garantida", diz antigo MNE

"Credível e influente". Eleição de Portugal na ONU "praticamente garantida", diz antigo MNE

Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, acredita que Portugal está bem encaminhado para ser eleito membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU. Outros antigos diplomatas portugueses mostram-se também confiantes que o país conseguirá ser eleito, embora antecipem dificuldades perante a Alemanha e a Áustria.

Gonçalo Costa Martins, Eduarda Maio - RTP Antena 1 /
AFP

Os 193 Estados-membros escolhem na quarta-feira cinco dos dez lugares não-permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Portugal concorre com Alemanha e Áustria aos dois lugares atribuídos à Europa Ocidental e Outros Estados.

"Do meu ponto de vista, está praticamente garantida" a eleição, afirmou Luís Amado no Ponto Central, da RTP Antena 1.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros fala de uma "grande maturidade" do país durante a democracia, um "ator previsível, credível e um ator influente, no fundo".

Caso seja eleito, "o país vai ter uma voz de intervenção num debate que é inadiável sobre a reorganização do sistema internacional" e na "nova abordagem" da ONU num mundo a caminho de uma "realidade multipolar e complexa e perigosa" marcada por conflitos e guerras, apontou o antigo governante.

"Acho que a voz de Portugal é uma voz de uma potência histórica", considera, pela capacidade de articular "visões entre diferentes civilizações e regiões do mundo".

Questionado pela jornalista Eduarda Maio se Portugal tem peso diplomático para competir com a Alemanha e com a Áustria, Luís Amado diz que o país tem demostrado capacidade. "Não foi um trabalho dos últimos anos, é um trabalho de décadas", sustenta, dando como exemplos as relações na NATO, a adesão à União Europeia e a reconstrução de "uma relação saudável do ponto de vista político com as ex-colónias portuguesas". 
Ponto Central | 1 de junho de 2026
Campanha "digna" e com 'pedigree', mas com avisos
Portugal já esteve, por três vezes, entre os membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU (1979 - 1980; 1997 - 1998; 2011 - 2012). 

Outros antigos diplomatas portugueses estão confiantes que o país conseguirá ser eleito, embora antecipem dificuldades perante a Alemanha e a Áustria.

"Acho que temos todas as condições para ganhar, mas é uma eleição perigosíssima", afirmou António Monteiro, antigo representante de Portugal junto da ONU entre 1997 e 2001, em entrevista à Lusa. Considerando a Alemanha uma "espécie de membro semipermanente" do Conselho que "passa automaticamente" quando apresenta candidatura, o antigo diplomata diz que "seria um milagre" se desta vez não tivesse esse reconhecimento. Aponta também que a Áustria "não é um adversário a desprezar" pela campanha que tem feito de marcar a diferença.

"Portugal tem outras armas, como aliados tradicionais e um forte prestígio" e "tem feito uma campanha digna e que tem correspondido às dificuldades desta competição", defende António Monteiro, que era representante de Portugal junto da ONU no segundo mandato português neste órgão (1997-1998).

Já Francisco Seixas da Costa, que foi embaixador na ONU entre 2001 e 2002, admite à Lusa que "a colagem de Portugal aos Estados Unidos não favorece esta eleição". As posições do Governo português no contexto do conflito no Médio Oriente podem "ter tido algum efeito de desgaste no apoio dos países do Sul", reconhece, mas mostra esperança que essa ligação acabe por não efeitos práticos.

"Portugal tem uma diplomacia de natureza global bastante acentuada" e "é importante para o prestígio do país ser visto como um país que tem apoios internacionais de vários níveis e que consegue movimentar-se em várias regiões", referiu, destacando "o bom relacionamento" com África e América Latina e "uma relação estabilizada" com a Ásia.

Mesmo perante as outras candidaturas, Victor Ângelo, que trabalhou durante mais de 30 anos na ONU, onde foi representante especial do secretário-geral para Operações de Paz, diz que Portugal "pode ter algumas hipóteses".

Sublinhando a "campanha muito ativa" do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Victor Ângelo aponta como grande vantagem "uma excelente relação" com o Brasil e a América Latina, e também com África - não só com os países lusófonos, mas também com outros Estados africanos e "diretamente com a União Africana", que reúne mais de 50 países.

Victor Ângelo destacou também que a candidatura portuguesa "tem insistido bastante na sua campanha pelos oceanos e isso pode trazer votos, nomeadamente dos Estados do Oceano Pacífico".

José Moraes Cabral, que foi embaixador na ONU entre 2008 e 2013, incluindo o período do terceiro mandato de Portugal no Conselho (2011-2012), mostra-se otimista: "Temos 'pedigree'."

"Demonstrámos nos três anteriores exercícios que éramos gente capaz, gente séria, gente que cumpria aquilo com que se tinha comprometido", acrecenta.

com Lusa




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